Drenagem Linfática e sua Aplicabilidade nos Transtornos Circulatórios





O primeiro relato escrito sobre drenagem linfática, data do ano de 1936, quando Dr. Vodder, um fisioterapeuta, iniciou, experimentalmente, a tratar gripes e sinusites manipulando gânglios linfáticos através de movimentos circulares suaves.

Em 1978, acontece o primeiro Congresso Internacional da Associação para Drenagem Linfática Manual. Neste congresso, o Prof. Krahe comprovava a eficácia da técnica de drenagem linfática em pacientes pós-mastectomizadas. Neste trabalho, este menciona a normalização completa nos casos de edema mole, e melhora de 50% nos casos de edema duro. Em relação a pré e pós-operatório de cirurgias estéticas, o médico alemão B. Bilias, relata a diminuição de hemorragias pós-operatórias, cicatrização em menor tempo e o resultado das intervenções, altamente satisfatório.

Em 1977, o Prof. Leduc conseguiu demonstrar a ação acelerante da drenagem linfática manual, mediante radioscopia.

A drenagem linfática manual é o método de trabalho com as mãos e por meio de movimentos suaves, que requer o conhecimento da anatomia do sistema linfático para uma aplicação eficaz.

A função do sistema linfático tem a função de drenar a maioria dos líquidos corporais e resíduos do metabolismo. Se a drenagem for deficiente há um congestionamento e conseqüente acúmulo de líquidos. Uma pressão demasiadamente forte pode obstruir os capilares chegando até mesmo a danifica-los, principalmente os capilares linfáticos pela sua estrutura frágil.

A drenagem linfática manual tem como objetivo principal o aumento do volume de linfa admitido pelos capilares linfáticos e o aumento da velocidade de seu transporte através dos vasos linfáticos. De forma direta esta tem influência positiva:

- na capacidade dos capilares linfáticos;

- na velocidade da linfa transportada;

- na filtração e reabsorção dos capilares sanguíneos;

- quantidade de linfa processada dentro dos gânglios linfáticos;

- sobre a musculatura esquelética;

- sobre a motricidade do intestino;

- sobre o sistema nervoso vegetativo;

- sobre a imunidade.

Tem influência positiva indireta:

- na nutrição celular;

- na oxigenação dos tecidos;

- na desintoxicação dos tecidos intersticiais;

- na desintoxicação da musculatura esquelética;

- na absorção de nutrientes pelo trato gastrointestinal;

- na distribuição de hormônios;

- no aumento na quantidade de líquidos excretados.

As indicações desta são: no edema tecidual, sensação de cansaço nas pernas, gravidez, hematomas e equimoses, varizes, sistema nervoso abalado, olheiras, no tratamento de acne, couperose, rosácea, rejuvenescimento, pré e pós-cirurgia plástica e lipodistrofia ginóide. Tem como contra-indicações câncer, infecções cutâneas, tratamento pós-trombose e pós-tromboflebite, hipertireoidismo, hipertensão arterial não-controlada e insuficiência cardíaca congestiva.

A drenagem linfática eletrônica ou a pressoterapia tem as mesmas indicações que a manual, porém, estudos afirmam que estas não são tão eficazes quanto a manual, pois não é possível imitar a velocidade e o movimento da linfa através de aparelho.

Os problemas circulatórios ocasionam sensação de membros inferiores pesados, varizes, varicosidades, podendo ocorrer edema. Nos casos de doenças circulatórias, a drenagem linfática manual pode atenuar o edema, e também prevenir complicações, acelerando a circulação e permitindo uma melhor eliminação das toxinas. Do mesmo modo, os problemas circulatórios podem aparecer no rosto, como vermelhidões temporárias, indicando a couperose ou rosácea. A drenagem linfática manual facial é recomendada nestes casos, desinchando e descongestionando a face.

O surgimento do edema está ligado à circulação linfática, seja diretamente em conseqüência do aumento do aporte líquido ou, indiretamente, em conseqüência de uma patologia linfática específica. A drenagem linfática drena os líquidos excedentes que banham as células, mantendo, dessa forma, o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais, sendo também responsável pela evacuação dos dejetos provenientes do metabolismo celular.

Após uma intervenção, como a escleroterapia, a drenagem linfática auxilia na reeducação do sistema linfático, prevenindo uma recorrência de comprometimentos circulatórios, inclusive o de varizes.



2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA



2.1 Drenagem linfática e sua aplicabilidade nos transtornos circulatórios



Os efeitos de drenagem linfática estão baseados nos mecanismos fisiológicos de pressões existentes entre os tecidos e os vasos sanguíneos e linfáticos. Sobre a membrana dos capilares atuam forças de pressões contrárias para ocorrer a movimentação dos líquidos. Um desequilíbrio nessas pressões provocará o edema (BARROS, 2001).

Um dos efeitos da drenagem é realizar a absorção de líquidos excedentes e de proteínas do espaço intersticial, já que o sistema linfático se torna a principal via de captação. Ao absorver o fluido excedente, os capilares linfáticos o transportam para os pré-coletores linfáticos, após para os coletores linfáticos, são filtrados pelos linfonodos até se dirigir para os dois grandes canais, ducto torácico e ducto linfático direito, e desembocam no ângulo das veias jugulares internas e carótidas direitas e esquerdas, local em que a linfa e o plasma se misturam. A pressão mecânica desta elimina o excesso de líquido do meio tissular para os vasos venosos e linfáticos (LEDUC, 2000).

Segundo GUIRRO (2002) foi realizado um estudo que comparou a influência da drenagem, exercício e estimulação elétrica muscular sobre o fluxo linfático. Todos estes causavam um aumento do fluxo, mas a drenagem foi a mais eficaz. Porém, segundo a mesma autora, o melhor resultado é obtido através da associação de drenagem linfática e elevação dos membros durante a sua aplicação.

As deficiências circulatórias dos membros inferiores afetam mais particularmente as mulheres, sendo de que em média a cada duas mulheres, uma apresenta algum tipo de comprometimento circulatórios, segundo JACQUEMAY (2000). Segundo esta autora, as causas, muitas vezes de origem hereditária, se adicionam aos fatores hormonais, como a gravidez, o ciclo menstrual e a menopausa.

O período mais freqüente de aparecimento de varizes nas gestantes é após o 4º mês. Essas pacientes devem ser acompanhadas por um angiologista ou cirurgião vascular. Sabe-se que nessas condições há, entre outros, maiores riscos de tromboflebite durante a gravidez ou imediatamente após o parto, agravamento da inchaço, piora da dor, sensação de peso e cansaço nas pernas, se comparado às gestantes que não desenvolvem varizes. Entre a medidas mais freqüentemente recomendadas para se controlar este problema estão a ginástica e hidroginástica apropriadas, caminhadas, drenagem linfática, quando em repouso colocar as pernas ligeiramente elevadas, uso de meias elásticas, sapatos confortáveis e reduzir a ingestão de sal, bebidas alcoólicas e comidas codimentadas (MELO, 2002).

Segundo Dr.MELO (2002) a drenagem linfática auxilia na preparação do local para a aplicação de escleroterapia com considerável diminuição da sensação dolorosa desta. De acordo com o médico o paciente relata menos desconforto, possibilitando duplicar e até triplicar as sessões em um só dia. Além disso, por estimular a circulação periférica local, as substâncias injetadas têm melhor fluidez, diminuindo as equimoses. Este ainda afirma que os profissionais de fisioterapia são os mais indicados para realizar o tratamento vascular ou estético com sessões de drenagem linfática. Esta também é indica no pós-cirúrgico.

A incontinência valvular, com estase ou refluxo, leva a rede linfática a se revelar insuficiente para drenar o líquido intersticial excessivo (LEDUC, 2000). Juntamente com este excesso de líquido intersticial, há uma aglomeração anormal de proteínas e um aumento do número de leucócitos. A drenagem linfática auxilia na redução do edema de forma eficaz e rápida, desde que seja realizada corretamente, prevenindo o aparecimento de fibrose (BARROS, 2001).



3 CONCLUSÃO



A drenagem linfática manual tem como objetivo principal manter o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais e a eliminação dos dejetos provenientes do metabolismo celular.

Desde que realizada corretamente, esta técnica é capaz melhorar a circulação, diminuindo assim as complicações decorrentes dos transtornos circulatórios, como por exemplo varizes, edema, sensação de peso em membros inferiores, celulite, etc. Os transtornos circulatórios de face, como rosácea e couperose, podem também ser aliviados através da drenagem linfática facial. A drenagem linfática, exerce um papel importante também na prevenção dos problemas circulatórios.

A fisioterapia, através desta técnica, e o tratamento médico, quando associados, tem a capacidade de tornar mais eficaz a resolução e prevenção das deficiências circulatórias, permitindo uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

Autora: Fabíola Zucco - Fisioterapeuta

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BARROS, M. H. Fisioterapia: Drenagem Linfática Manual. São Paulo: Robe, 2001.

CURRI, S.B. Las paniculopatias de estasis venosa: diagnostico clínico e instrumental. Barcelona: Hausmann, 1991.

DI PIETRO, N. Curso de Drenagem Linfática. Em: maio/jun 2002.

GUIRRO, E. C.; GUIRRO, R. R. Fisioterapia Dermato-Funcional: Fundamentos – Recursos – Patologias. 3ºed. São Paulo: Manole, 2002.

JACQUEMAY, D. A drenagem-vitalidade: a drenagem linfática associada a energética chinesa. São Paulo: Manole, 2000.

KISNER, C.; e COLBY, L. A. Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 3a ed. São Paulo: Manole, 1998.

LEDUC, A.; LEDUC, O. Drenagem Linfática: Teoria e Prática. 2ºed. São Paulo: Manole, 2000.

MERLO, I. Varizes na Gravidez. Disponível em: < http://www.varizes.com/tratamentos/drenagem.htm > Acesso em: 14 jul. 2002.

MERLO, I. Drenagem linfática e Escleroterapia. Disponível em: < http://www.varizes.com/tratamentos/drenagem.htm > Acesso em: 14 jul. 2002.

O´YOUNG, B.; O´YOUNG, M.; STIENS, S. A. Segredos em Medicina Física e Reabilitação. Porto Alegre: Artmed, 2000.

POLDEN, M.; MANTLE, J. Fisioterapia em obstetrícia e ginecologia. São Paulo: Santos, 1993.

RIBEIRO, D. R. Drenagem Linfática manual corporal. São Paulo: Senac, 1999.

SOARES, C. Um estudo verificando a qualificação dos profissionais e a utilização dos recursos fisioterapêuticos em Clínicas de Estética na cidade de Blumenau-SC. Blumenau, 2001. (MO)
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