Drenagem linfática em paciente com dermatofibrose e flebite de membro inferior





A dermatofibrose faz parte do grupo das principais alterações tróficas das venopatias e é caracterizada pela fibrose progressiva do tecido epitelial e subcutâneo no terço distal da perna, especialmente em sua face medial12.

A flebite, inflamação de um segmento venoso, comumente acomete os membros inferiores (90% dos casos) e é clinicamente traduzida pelos sinais flogísticos clássicos: calor, rubor, edema e dor.

A drenagem linfática manual tem como objetivo reduzir o edema a partir da redução de proteínas plasmáticas do interstício celular restaurando, consequentemente, o equilíbrio entre o transporte linfático e a carga do filtrado microvascular1,8.

O uso de bastões flexíveis para a realização da drenagem linfática foi desenvolvido, baseado na anatomia e fisiologia linfática, com o objetivo de facilitar e maximizar a execução da técnica6,8,10. Da mesma maneira, a criação de um dispositivo mecânico (RA Godoy), que simula a drenagem realizada pelo sistema linfático, ao realizar os movimentos de dorsoflexão e flexão plantar passivamente, possibilitou a otencialização do tratamento das linfopatias.

Não há relatos, na literatura, enfatizando a drenagem linfática manual como método coadjuvante de tratamento da dermatofibrose e das flebites crônicas. Dessa forma, o
presente estudo teve como objetivo avaliar os resultados iniciais da técnica de drenagem linfática em pacientes com dermatofibrose, flebite e dores, abrindo uma nova
perspectiva para o tratamento dessas afecções.

Relato de caso

Paciente sexo feminino, 73 anos de idade, portadora de insuficiência venosa crônica (IVC) e consequente dermatofibrose associada à flebite, com queixa de dor contínua no
membro inferior direito, submetida à avaliação qualitativa.

Na anamnese, a paciente relatou uso diário de analgésicos em virtude das dores, sendo estas de intensidade moderada a forte. Fez tratamento com venotônicos (diosmin), repouso, analgésicos e anti-inflamatórios por período de três meses, porém com pouca melhora clínica.

Foi realizado exame físico observacional, e identificado edema no terço inferior da perna acometida e hipersensibilidade dolorosa na face dorsal do pé direito e na região flebítica. A dermatofibrose era intensa na face interna do terço distal da perna, apresentando uma região com contornos bem delimitados de coloração acastanhada, aspecto descamativo e apresentando-se endurecida e dolorosa à avaliação palpatória.

Após consentimento livre e esclarecido, a paciente foi submetida à aplicação da técnica de drenagem linfática manual (DLM) descrita por Godoy e Godoy e à drenagem
linfática mecânica (RA/3000 Godoy)7 durante cinco dias, não consecutivos, com duração de uma hora cada sessão.

As sessões de DLM consistiram de estímulo de linfonodos cervicais inferiores e de linfonodos femorais, drenagem do membro inferior sadio seguida pela drenagem do membro acometido. Concomitantemente, foi feito uso do dispositivo RA/3000 Godoy, responsável por realizar passivamente os movimentos de dorsiflexão e flexão plantar
de ambos os membros inferiores, maximizando o retorno venolinfático.

Durante e após o tratamento, foram obtidos resultados positivos com a terapia proposta, identificados pela melhora da coloração da pele, observada por seu clareamento progressivo, redução da sensibilidade dolorosa local, descrita pela paciente, e redução do edema. A paciente relatou ainda maior disposição física, melhora do sono e abandono da medicação analgésica.

Discussão

A insuficiência venosa crônica (IVC) resulta da incompetência valvular e hipertensão do sistema venoso, resultantes de alterações anatômicas e funcionais da bomba musculoaponeuróticavenosa (MAV) dos membros inferiores11. Associada à fisiopatologia, fatores como o ortostatismo prolongado favorecem a evolução do quadro com progressivas alterações cutâneas, cujos sinais e sintomas são claros e evidentes de modo a permitir que o exame clínico seja confirmatório para o diagnóstico.

Nesses pacientes é comum o surgimento de edema, dermatite ocre, úlcera e dor, devido à estase venosa. A dermatoesclerose, além de um sinal frequentemente observado,
também é um dos estágios finais da insuficiência venosa crônica, podendo ser agravada pela presença de um quadro flebítico.

O tratamento da dermatofibrose não é específico, sendo voltado à terapêutica da insuficiência venosa como um todo12. Assim, a paciente deste estudo iniciou
a terapia farmacológica convencional com venotônicos e analgésicos, além de orientação para realizar repouso.

Entretanto, diante da ineficiência da abordagem clínica de escolha com persistência do desconforto diário, e da impossibilidade de prescrição de meia elástica devido ao quadro associado de insuficiência arterial crônica, foi proposta a aplicação da
drenagem linfática, manual e mecânica, tendo em vista seus efeitos de analgesia e melhora do retorno venolinfático.

Apesar da DLM não ser descrita na literatura como terapêutica à clínica da dermatofibrose, especificamente, ela mostrou-se como importante método coadjuvante em
seu tratamento, em especial quanto ao controle da sintomatologia álgica.

O método de drenagem também teve influência na redução do edema e da fibrose tecidual, identificada pela palpação, bem como na hiperpigmentação observada inicialmente, encorajando sua indicação e o desenvolvimento de novas pesquisas, embora não tenha ocorrido comprovação por método diagnóstico quantitativo.

Conclusão

Este estudo apontou melhora na clínica dos sinais e sintomas de paciente portadora de dermatofibrose após aplicação de drenagem linfática, manual e mecânica.

Fonte
Drenagem linfática em paciente com dermatofibrose e flebite de membro inferior Drenagem linfática em paciente com dermatofibrose e flebite de membro inferior Editado por saude.chakalat.net on 11:41 Nota: 5

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